23/03/2020

Resenha: De Quanta Terra Precisa um Homem


Acho que chega um momento na vida de qualquer leitor(a) que goste de clássicos e livros mais emblemáticos a vontade ler algum clássico russo, entretanto a complexidade desses livros é de conhecimento geral e em alguns casos o tamanho até assusta; Por isso que eu resolvi ler o meu primeiro russo com um livro beeem pequeno, um conto na verdade, e o autor escolhido foi Liev Tolstói pois desde que li Tash e Tolstói fiquei curiosa a respeito desse autor e com essa leitura eu não me decepcionei nenhum pouco.

De quanta terra precisa um homem é um conto sobre a ganancia do ser humano. Aquela velha história: Quanto mais você tem mais você quer. A história inicia com duas irmãs conversando, uma mora na cidade e outra na roça. Ambas debatem sobre as vantagens de morar onde moram, uma fala que morar na cidade é ruim pelo medo e outra argumenta que morar na roça não há perspectiva de vida. Enquanto as duas conversam Pahón, que se tornará o protagonista da história, escuta tudo e lamenta:
"Isto realmente é verdade", pensou. "Enquanto se a ara a mãe-terra desde pequeno, não sobra lugar na cabeça para besteiras. A única tristeza é que não temos terra o bastante. Tivéssemos o suficiente nem mesmo o diabo eu temeria!"

E então o diabo escutando Pahón decide tentar o homem prometendo a si mesmo que irá dar muitas terras a ele e com essa mesma terra ele irá pegar o camponês. Pahón tinha o suficiente para viver, ele não precisava sair de casa para ir atrás de mais terra e com isso mais riqueza, sua vida era tranquila apesar de uns conflitos com outros camponeses da sua região, entretanto diante das tentações que foram lhe aparecendo e a promessa de uma conquista de terras fácil ele foi atrás disso.

Não há problema algum em uma pessoa querer sempre mais, nós precisamos de mais, conquistas é sempre bom e nos motivam a ser melhor, mas o problema é quando a ganancia fala mais alto do que qualquer coisa. No caso de Pahón ele queria mais simplesmente pelo prazer de ter mais, o prazer de ser importante com suas terras e dinheiro, Pahón não percebeu que ele não precisava disso e sim de outras coisas como o convívio com a própria família, por exemplo.

Sobre a escrita eu só tenho que dizer que gostei e muito, torço para que os romances do autor tenham a mesma linha de escrita pois assim é algo gostoso de ler, sabe? As vezes os problemas de clássicos é que são difíceis e sempre ouvir falar que os russos particularmente são muito complicados de ler. Mas falando a real: mesmo que você não seja fã de clássicos tenho certeza de que gostará desse conto.

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Título: De Quanta Terra Precisa um Homem • Autor: Liev Tolstói
Editora: Via Leitura • Tradução: Natália Petroff 
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18/03/2020

Resenha: Um Lugar Só Nosso


Aos que acompanham esse blog já sabe que eu não sou uma grande leitora de YA clichê há um bom tempo, né? Mas as vezes é bom ler algo do gênero para sair da rotina literária e e até mesmo da ressaca literária. Foi justamente por isso que decidi ler esse romance, com a promessa de ser algo bem leve e gostosinho; Mas acabei me decepcionando bastante com a leitura.

❗❗

Antes de mais nada já deixo claro que essa é a minha opinião sobre o livro. Tenho um amigo que leu e amou, deu 5 estrelas e tudo, então é claro que cada um tem que ler para tirar suas próprias conclusões. 

❗❗

Ah, mas então qual o motivo da decepção? Bom, eu simplesmente não gostei do desenvolvimento dos protagonistas dentro da história. O plot principal é muito bom, amei a ideia da personagem estrela do K-Pop que precisa de um tempo para ela, pois é uma adolescente que não aguenta mais a pressão de ser uma estrela e tem que viver com o estigma de ser perfeita. O livro tinha tudo para ser perfeita se, de fato, as personagens tivessem me convencido de precisavam daquele tempo que passam juntos longe de tudo. 

A história se passa em um período de 24hs e mesmo quando eu era super leitora de YA eu já odiava a ideia de pessoas que se apaixonam em menos de 24hs, sem falar que o tempo todo as personagens só comiam. Acabaram de sair de uma barraca já estavam em um restaurante, daqui a pouco no cinema comendo pipoca, daqui a pouco em outra barraca e ai em um festival comendo comida típica e por aí vai, nesses meio tempo surgiam diálogos que, deveriam, dar um ar reflexivo para a trama, seja sobre família, relacionamentos e sentimentos pessoais de cada personagem, entretanto eles se repetiram demais e eu sentia que estava lendo a cada poucas páginas a mesma coisa anterior. 

Mas tá bom, nem tudo é ruim, né? A autora conseguiu me fazer imaginar e até atiçou minha curiosidade a respeito de Hong Kong. É um cenário totalmente diferente dos livros que lemos, principalmente romances, e o pouco que ela destacou o local com certeza irá deixar as leitoras bastante curiosas para conhecer. Outra coisa que gostei é sobre a exposição da industrial musical do k-pop, principalmente sobre a preparação dos artistas e a pressão que eles sofrem para não serem "cancelados". Mesmo quem não acompanha esse estilo musica com certeza já viu noticias na internet sobre artistas que cometem suicídio ou que tem a saúde mental debilitada em consequência da vida que leva, como acho essa exposição importante gostei de ver sendo abordado no livro.

Mas é isso, gente. Nem todos os livros são feitos para todo mundo, né.

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Título: Um Lugar Só Nosso (Somewhere Only We Know) • Autora: Maurene Goo
Editora: Seguinte • Tradução: Ligia Azevedo
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19/02/2020

Resenha: Olhos d'Água



No segundo mês da leitura coletiva de #lendoautorasnegras o livro escolhido foi Olhos d'Água da brasileira Conceição Evaristo e eu não poderia ter sido mais sortuda por ter ganho este livro no amigo secreto de carnaval justamente quando ia deixar a leitura de lado por não ter o livro em mãos. Bom, logo iniciei a leitura e só posso dizer uma coisa: amei, mas sofri demais. Então antes de iniciar o texto em si já deixo vocês avisadas: o livro pode ser um pouco denso demais para pessoas com alguma sensibilidade, pode conter gatilho para algumas pessoas, então muito cuidado ao decidir ler esta obra.

Bom, não gosto desse tipo de aviso mas é importante informar, pois por mais que a autora tenha tentado amenizar as situações com suas palavras, não deixando nada explicito, quando entendemos o que, de fato, ela quer dizer só conseguimos ficar arrasadas. Eu acabei lendo em um ritmo constante, apesar de ter me abalado com alguns contos específicos, mas eu acredito que isso tenha mais se dado ao fato de eu não ter me identificado com as histórias em si, por viver em uma realidade diferente das personagens criadas ali.
Eu sabia, desde aquela época, que a mãe inventava esses e outros jogos para distrair a nossa fome. E a nossa fome se distraia. 

Olhos d'Água é um livro de contos que nos conta a vida de pessoas em situação de pobreza e miséria. De inicio achei que todas seriam mulheres, predominantemente negras, mas houveram contos em que homens eram os protagonistas. Cada um com sua própria história, tão única mas ao mesmo tempo tão igual a histórias que estão acontecer nesse exato momento em locais de pobreza e miséria. Então sim, a autora quis mostrar aos leitores uma realidade pouco conhecida por nós privilegiados. Sim sim, tô aqui em mais uma resenha querendo falar sobre a minha consciência de classe, mas como não falar quando um livro como este joga na nossa cara realidades tão cruéis?

O livro é tão importante em nosso Brasil atual que ele já se tornou leitura obrigatória em algumas escolas e universidades e fica fácil entender todos os debates que ele podem gerar com suas histórias. Tenho sim algumas favoritas e que mais me chocaram, mas não irei focar aqui nos contos em si e sim no geral da obra.

O debate do grupo ainda não aconteceu e eu estou ansiosa para ver as mulheres ali falando sobre esse livro, principalmente porque até o momento já houveram comentários sobre o que me deixaram ansiosa e curiosa sobre as formas como o livro mexeu com elas que é tão diferente da forma como ele mexeu comigo. Enfim, essa foi uma resenha não resenha, para ser bem honesta, porque não consigo colocar muito bem em palavras essa obra.

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Título: Olhos d'Água • Autora: Conceição Evaristo • Editora: Pallas
Para comprar esse livro e ajudar o blog clique aqui
Esse livro faz parte da leitura coletiva de #lendoautorasnegras
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17/02/2020

Livros para começar a entender o feminismo


Olá, vocês que ainda param um minutinho do seu dia lendo blogs. Hoje vou falar sobre um dos meus assuntos favoritos: feminismo. E melhor ainda: Vou indicar livros feministas para você que quer entender um pouco da causa mas não sabe por onde começar. Agora é a hora de você abrir o seu carrinho da Amazon e fazer uma listinha bacana.


Esse é o primeiro livro da lista, apesar de eu não ter lido ainda. Ele é um grande almanaque que fala sobre o assunto de forma simples e direta, com fatos históricos, nomes importantes e os principais movimentos até os dias atuais. É um bom livro para iniciar no assunto pois à partir dele outros rumos podem ser tomados
.

Esse livro é o mais óbvio da lista, sim! Mas ele é extremamente didático. O discurso de Chimamanda no TEDx serve para abrir a mente de várias pessoas, eu mesma vi isso, que sempre se disseram não feministas ou anti feministas e que em alguns momentos do texto se reconheceram como feministas. É um livro super curto, da para ler em no máximo uma hora e o melhor de tudo é que o e-book é gratuito na Amazon. Ah! Aproveite a leitura deste para ler também Para Educar Crianças Feministas, que fala sobre a importância da criação de crianças que vejam as outras como iguais independente de gênero e que isso, claro, acontece da forma como essa criança é criada pelos pais. Logo crianças com uma educação não sexista será um adulto não sexista.

O Feminismo é para Todo Mundo


Se você leu a pequena bíblia da Chimamanda e agora quer se aprofundar no assunto então é a hora de ler esse da bell hooks, pois ele vai aprofundar a respeito do feminismo em todos os principais âmbitos sociais, ou seja, família, trabalho relacionamentos, escola/faculdade e até na sociedade em geral, ou seja (novamente): TUDO. Esse livro é extremamente importante pois ele desmistifica coisas que crescemos acreditando sobre o feminismo e mulher feministas. 

Profissões para Mulheres e Outros Artigos Feministas


Apesar de conter textos do inicio do século XX acho esse livro importante para entender a respeito da evolução que o feminismo teve ao longo dos anos de uma forma direta. O que está escrito nele pode não fazer sentido na nossa realidade atual, mas é um estudo sobre a própria evolução do feminismo e tudo que conquistamos e também como ainda temos um longo caminho a percorrer. 

Quem tem Medo do Feminismo Negro? 


Eu nem preciso falar que eu, como uma mulher branca, me identifico muito mais com o feminismo "branco", certo? Mas não sou hipócrita a ponto de não entender que existe diferença entre o feminismo e o feminismo negro e posso dizer com certeza que aprendi todas essas diferenças com a Djamila Ribeiro (que me apresentou outras autoras através deste mesmo livro). E sim, é muito importante entendermos além do que nos convém a luta de outras realidades, pois se queremos um mundo justo e igualitário temos que aprender sobre todos que vivem nele. Então leiam sobre feminismo negro, entendam o porque de mulheres negras não terem os mesmos privilégios que as brancas. 


Infelizmente eu ainda não li todos os livros ou autoras feministas que gostaria e sinceramente me considero uma ignorante sobre o assunto, pois há tantas coisas para aprender e principalmente para colocar em prática que talvez eu nunca seja uma mulher cem por cento feminista; Mas quis compartilhar um pouco sobre essas leituras por acreditar que tudo há um ponto de partida quando temos interesse no assunto e no aprendizado.


Você costuma ler livros feministas? Pode ser teóricos ou romances, mas fala ai nos comentários qual seus favoritos!!

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13/02/2020

Resenha: Orgulho e preconceito



Há alguns anos eu nutro um certo amor pela adaptação de 2006 de Orgulho e Preconceito, o clássico da autora Jane Austen. Entretanto, mesmo o filme tendo seus 14 anos, eu ainda não tinha de fato lido o livro e cada vez me sentia uma leitora pior por causa disso. Eis que neste ano surge a chance de finalmente fazer essa leitura em uma LC dedicada cem por cento a Jane Austen, com o primeiro livro da lista sendo o clássico que é tão amado pelas leitoras de romance.

Claro que amei a obra, mas infelizmente a leitura para mim foi bastante penosa. Talvez porque realmente não estou acostumada com a forma rebuscada com que a autora escrevia ou pela tradução que não tinha ficado muito boa nessa edição. Entretanto vale ressaltar que eu li na versão da editora Principis, que são livros mais baratos e acessáveis e talvez por isso não tenha um grande cuidado com as edições como editoras que vendem o livro a valores maiores. Isso me incomodou um pouco na leitura sim, mas não foi o suficiente para tirar o enquanto que eu já tinha da obra.

Orgulho e Preconceito é um romance lindo, que se passa em uma época em que julgamos que todas as mulheres se casavam por obrigação e não amor; O que não era beeeem assim, apesar de serem considerados dotes, fortuna, dentre outras coisas. Justamente por isso que o amor de Lizzie e Darcy é tão lindo, pois há julgamentos entre eles no inicio por ele ser rico e ela ser pobre, assim como a personalidade de ambos ser ou não condizente com sua classe social e todo o grupo social em que eles vivem. É um amor que acontece aos poucos e não enche o leitor de cenas românticas, pelo contrário, Jane Austen criou detalhes em que nós devemos nos esforçar para notar o nascimento desse sentimento dos protagonistas como um olhar, um sorriso ou um pensamento que o narrador nos da.
— Em vão tenho lutado, mas de nada serve. Os meus sentimentos não podem ser reprimidos e permita-me dizer-lhe que a admiro e a amo ardentemente.

Uma das coisas mais legais que Jane Austen colocou neste romance é toda a ambientação, principalmente familiar de Lizzie. Os Bennets é uma afamilia muito engraçada e que parece gente como a gente, tirando o fato da mãe só procurar marido para as filhas. De certa forma esse comportamento da Sra. Bennet me incomodou bastante, mas entendo que era a única ambição real de uma mulher naquela época e quanto a isso a autora trata de colocar algumas criticas no livro. Suas irmãs mais novas me lembram qualquer adolescente que se empolga facilmente por uma pessoa desejada e infelizmente, às vezes, algumas vão até as ultimas consequências para ter aquilo que quer, sem nem ao menos pensar na própria família ou principalmente em si mesma.


Eu não favoritei o livro, porém com certeza ele se tornou muito querido principalmente pelo meu amor pela adaptação (que continua sendo um dos meus filmes favoritos da vida). Indico a leitura a todas que amam um romance de época, mesmo que esse não seja um romance de época e sim contemporâneo pois Jane escreveu contanto sobre seu próprio tempo. As situações ali são, de fato, como aconteciam na época, apesar de um pouquinho romanceada em alguns casos, mas nada que afete a leitura.

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Título: Orgulho e Preconceito (Pride and Prejudice) • Autora: Jane Austen
Editora: Principis (Ciranda Cultural) • Tradução: M. Ângela Santos
Esse livro faz parte da Leitura Coletiva de Lendo Jane Austen 2020
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07/02/2020

Hábitos de leitura



Desde que passei a me reconhecer como uma leitura na sociedade muitas vezes vi pessoas incrédulas em como tenho coragem de ler um livro, ou em como eu sou inteligente por ler livros, e outras frases que provavelmente todas as leitoras que lêem esse blog já devem ter ouvido. O que essas pessoas, infelizmente, não sabem é que a leitura não é só um sinônimo de coragem e inteligente, mas é um prazer e que nós fazemos isso para ter essa sensação tão gostosa que é a de ler e conhecer diferentes lugares, pessoas, culturas, e até mesmo para conhecer histórias reais, pessoas reais, e etc.

Nem sempre eu fui uma leitora, apesar de gostar de livros desde a pré-adolescência. Eu nunca tive incentivo dentro de casa, pois a minha família via os livros como algo caro — o que não deixa de ser verdade quando você deve escolher entre gastar R$50,00 em um livro para uma criança da casa ou R$50,00 em mantimentos para alimentar quatro ou cinco pessoas. Então quando descobri a biblioteca da escola tudo mudou, pois passei a ler e gostar de ler, mas o processo não foi muito rápido mesmo nessa idade. Hoje em dia eu sei que preciso ler nas horas que estou mais desperta, sei que posso estabelecer uma meta diária de leitura para manter um ritmo e ler tudo (ou quase tudo) que quero, mas nessa época eu não podia nem pensar em fazer isso pois mais seria uma obrigação que outra coisa. Por isso que, apesar de achar eficiente, acho problemático querer estabelecer metas para as pessoas que estão começando a gostar da leitura na vida adulta.

Hoje gosto de estabelecer metas diárias de leitura, que vão de segunda a sexta. A minha ideia principal é ler um livro por semana, portanto sempre que pego um livro novo divido o número de páginas pelo número de dias em que pretendo finalizar a leitura para ter uma ideia do que tenho que ler diariamente. Não coloco os finais de semana na contagem pois, geralmente, são dias que gosto de pensar em vida social e dormir, então nem sempre consigo ler e se leio conto como um extra. Para controlar o prazo eu estou usando uma agenda, onde todos os dias marco o quanto li para saber se bati a meta ou passei dela. Quando passo da meta não significa que no dia seguinte eu irei ler menos, a quantidade é sempre a mesma independente do dia anterior, e a vantagem é que posso acabar o livro mais cedo do que esperava e poder ler mais coisas depois.

Atualmente estou tentando usar um bujo para marcar todo o inicio de mês o que irei ler, pois como tenho leituras coletivas e livros de parceria preciso conseguir focar na meta para dar conta de tudo no prazo correto. Claro que nada disso é certeiro, pois não é uma ciência exata. Às vezes uma leitura flui tão bem que termino em três dias e às vezes é tão denso que acaba se estendendo um pouco mais, nem sempre vai dar certo mas a ideia é somente conseguir controlar para as coisas não saírem tão fora de controle, sabe?

Minha meta esse ano é ler 50 livros, em Janeiro já consegui ler 5. Sim, se eu conseguir manter esse número mensal vou conseguir bater a meta com tranquilidade, mas eu sei que terão meses que não conseguirei ler tantos títulos, então não vou aumentar a meta e sim focar no que preciso ler de urgente por causa de compromissos que firmei, seja com as LCs ou com os parceiros. A única obrigação que tenho é de não parar de ler, nem que seja alguns minutos por dia (mesmo sem bater a meta de páginas, a de tempo também pode ser uma opção).

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05/02/2020

Resenha: Os 12 Signos de Valentina


Não sei vocês mas eu quando fico muito tempo sem ler algum gênero que antes devorava parece que estou lendo algo totalmente novo e até revolucionário. Então sim, eu não lia clichês YA/NA há algum tempo e quando terminei a leitura de Os 12 Signos de Valentina me senti de coração aquecido (adoro esse termo que as blogueiras usam) com o quanto esse livro é tão fofo e importante para toda uma nova geração de leitoras de romances nacionais.

Os 12 Signos de Valentina conta a história de Isa, uma jovem estudante de jornalismo que descobre no dia de seu aniversário a traição do seu namorado (seis anos de namoro jogados no lixo) e após passar quase um ano de luto pelo relacionamento e muita luta de seus amigos e familiares próximos para que ela seguisse com a vida, Isa vê uma oportunidade de sair da tristeza ao realizar um experimento "cientifico" (um trabalho para uma aula da faculdade): irá testar todos os signos do zodíaco, ou seja, ficar com boys de todos os signos até encontrar um perfeito. Nisso eu já achei o livro incrível, mas ao mesmo tempo tive receio pois pelo histórico de livros que li antigamente mostravam que personagens com esse perfil não eram bem vista em suas histórias; Mas o que falar da Ray Tavares que eu acabei de conhecer e já considero incrível demais?

Isa passa a conhecer todos os signos de uma forma divertida, e um pouco estereotipada, e sim ela da uns beijos em todos eles. Errada não tá, eu mesma acho que faria o mesmo e até pior se tivesse tido essa ideia antes de conhecer o meu leonino perfeito. Isa é uma personagem divertida e pé no chão, mas acima de tudo ela é uma personagem que irá mostrar aos leitores algo que não vemos muito em livros desse gênero nacionais: privilégios; a famigerada consciência de classe. Eu li este livro em uma leitura coletiva e algumas participantes falaram que se irritaram com o quanto a personagem tenta militar nesse livro, sendo até forçada as vezes. E sim, não vou discordar das meninas, pois teve momentos que eu ficava ISA, CALMA AMIGAH, mas eu entendo por outro lado a necessidade da personagem ser assim principalmente por perceber através das redes sociais que muitas leitoras desses gêneros não sabem e nunca nem leram nada que fala sobre privilégios, principalmente na ficção.

E claro, né... o romance. Gente, a Ray foi tão incrível na construção desse livro que ainda criou um romance muito perfeito e que combinou com tudo o que a Isa passou e passará no decorrer da trama. Eu não vou citar o nome do personagem que irá ser, então, par romântico de Isa, mas já adianto que ele está longe de ser o macho tóxico. Ele a respeita acima de tudo e nunca a julgou por nada que ela está fazendo. Em um dos debates eu questionei uma decisão da Isa a respeito do experimento e uma das meninas disse que se ela fizesse o que eu queria que ela fizesse o Menino não ia mais querer ficar com ela e eu fiquei tipo beloved??????? justamente se ele deixasse de gostar dela então ela deveria é ficar longe dele, certo? Mas claro que ele não fez isso e nem faria mesmo que Isa tivesse feito o que eu queria que ela fizesse.

Um livro fácil e gostoso de ler, além de nos colocar em uma ambientação de SP muito boa (e nostálgica para mim) com certeza é um romance que irá encantar as leitoras de nacionais assim como me encantou bastante.

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Título: Os 12 Signos de Valentina • Editora: Galera Record • Autora: Ray Tavares
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