19/09/2018

Resenha: Ensaio Sobre a Cegueira


Título: Ensaio Sobre a Cegueira
Autor(a): José Saramago
Editora: Cia das Letras
Páginas: 312
Uma terrível "treva branca" vai deixando cegos, um a um, os habitantes de uma cidade. Com essa fantasia aterradora, Saramago nos obriga fechar os olhos e ver. Recuperar a lucidez, resgatar o afeto: essas são as tarefas do escritor e de cada leitor, diante da pressão dos tempos e do que se perdeu.

Um motorista parado no sinal se descobre subitamente cego. É o primeiro caso de uma "treva branca" que logo se espalha incontrolavelmente. Resguardados em quarentena, os cegos se perceberão reduzidos à essência humana, numa verdadeira viagem às trevas.

O Ensaio sobre a cegueira é a fantasia de um autor que nos faz lembrar "a responsabilidade de ter olhos quando os outros os perderam". José Saramago nos dá, aqui, uma imagem aterradora e comovente de tempos sombrios, à beira de um novo milênio, impondo-se à companhia dos maiores visionários modernos, como Franz Kafka e Elias Canetti. Cada leitor viverá uma experiência imaginativa única. Num ponto onde se cruzam literatura e sabedoria, José Saramago nos obriga a parar, fechar os olhos e ver. Recuperar a lucidez, resgatar o afeto: essas são as tarefas do escritor e de cada leitor, diante da pressão dos tempos e do que se perdeu: "uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos".

*respira*

Como fazer esse texto? Eu não quero chamar de resenha. Vou opinar, claro, sobre o livro, mas acho que resenha é uma palavra muito forte para o que eu vou falar desse livro... Como se eu não tivesse esse direito, ou sei lá o que. Porque tipo, quem leu deve saber como eu me sinto ou se não sabe é porque não tem sentimentos, ou sei lá o que. rs

Bom, o plot inicial da obra é sobre um cegueira branca que vai tomando proporções enormes ao longo do livro. Começa com um único homem e vai passando de pessoa para pessoa, como se fosse uma doença mesmo. E nessa loucura toda uma única mulher continua vendo (e ela é descrita como a mulher do médico). Existem muitas interpretações que podem ser feitas desse livro e eu falo isso pois acabei vendo umas resenhas e vídeos sobre ele depois (também sobre o filme). Mas vou me reservar a minha, que pode ou não fazer sentido. rs Porque eu não vou ficar falando sobre a história em si por aqui e sim sobre isso mesmo interpretações.


A cegueira branca é uma metáfora, isso é bem obvio até mesmo pela forma que o narrador nos conta a história. Ele usa de frases, ditos populares e opiniões sobre aqueles personagens que deixam evidente. O livro foi escrito no inicio nos anos 90 e nessa época estávamos seguindo para um novo século onde a tecnologia estava começando a predominar e as pessoas estavam começando a ficar dependentes disso. Se Saramago viu isso no inicio dos anos 90 imagina o que ele não veria hoje em dia? A cegueira é praticamente tudo o que temos ao nosso redor nos dias atuais, esse monte de informação sendo jogadas na nossa cara e que nunca conseguimos extrair nada realmente bom disso, entende? No livro a cegueira é descrita como um mar de leite por todo mas existem alguns momentos em que da a impressão que eles falam que é como se fosse uma luz muito forte, ao contrário da cegueira como conhecemos onde é tudo preto. Enfim, essa luz ao meu ver pode-se referir as luzes de telas, como televisão, computadores, e etc.

Os personagens não tem nome. Todos são descritos por caracteristicas da sua primeira apresentação. Então temos o primeiro cego, a rapariga dos óculos escuros, o médico, a mulher do médico e assim por diante. Nem se quer o cachorro que aparece lá pro final ganha um nome. Eles não precisam de nomes pois nenhum seria capaz de reconhecer o outro por motivos óbvios, porém o narrador precisa descreve-los de alguma forma a nós e por isso usa adjetivos. Gosto dessa forma pois a impressão que da é que cada personagem tem um pouco de cada em suas caracteristicas. Por exemplo o jovem estrábico é como se representasse a parte de nós que é inocente, que ainda não tem aquela maldade do mundo ou que não quer ver as coisas ruins do mundo. Ele é uma criança ainda e de inicio chama muito pela mãe e ao longo do livro vai se esquecendo dela... Como se fosse nós crescendo. Já o velho da venda preta é a parte de nós que tem maturidade e não maldade de mundo. Simplesmente aquele nosso lado que entende as coisas, que entende um pouco da vida e do mundo. O médico pode ser a parte mais filosófica, mas não sei exatamente explicar como. Ele sempre é muito centrado, é um homem inteligente e por vezes acaba tendo algo a dizer sobre a situação que é mais filosófica. Ele é o que tenta acalmar os nervos de todos e ser o mais centrado. A mulher do médico é a única que consegue ver e pode ser a representação da razão, aquela parte de nós que não se deixa levar pelas coisas que vemos por ai, a parte pensante. E sim, existem outros personagens que tem suas representações mas eu ainda não consegui relacionar muito bem com caracteristicas de personalidades do ser humano (ou pelo menos não de uma forma que faça sentido).

Diante dessa analise de personagens x personalidades eu acabei percebendo que o livro mostra muito sobre nós e a forma como lidamos com o mundo e com as situações ao nosso redor. Após a primeira leva de cegos, que são jogados em um manicômio abandonado, situações extremas são vividas ali. Fome, falta de higiene, não há noticias do mundo exterior e a unica segurança é contra os próprios cegos. Tem situações em que as pessoas são obrigadas a fazer coisas que não gostariam somente para se alimentarem e gera conflitos e debates entre os personagens que claramente nos fazem pensar (principalmente nessa questão de ser obrigada a fazer algo ou fazer por desejar fazer). É angustiante vê-los ali naquela situação e angustiante pensar que se algo do tipo acontecesse realmente seria daquela forma ou ainda pior.

Não é um livro fácil de ler mas apesar da forma como Saramago escreve é impossível larga-lo. Já vi algumas pessoas comentado que nunca mais quer ler nada dele ou que ele escreve mal por não usar pontos e virgulas, mas isso é uma característica única do homem e por mais que deixe a leitura um pouco cansativa a história te prende. É praticamente impossível ler esse livro sem querer saber o que vai acontecer em seguida ou com os personagens. Então por mais que seja chato para se acostumar insista pois ao final da leitura você vai se sentir como se essa tivesse sido a melhor coisa da sua vida (e também a mais louca).

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