26/02/2018

Resenha: O Apanhador no Campo de Centeio


Título: O Apanhador no Campo de Centeio
Autor(a): J. D. Salinger
Editora: Editora do Autor
Páginas: 207
Leitura realizada para o projeto 6 Clássicos em 2018.
À espera no centeio (O Apanhador no Campo de Centeio na edição brasileira) narra um fim-de-semana na vida de Holden Caulfield, jovem de 16 anos vindo de uma família abastada de Nova York. Holden, estudante de um reputado internato para rapazes, volta para casa mais cedo no inverno depois de ter recebido más notas em quase todas as matérias e ter sido expulso. No regresso a casa, decide fazer um périplo adiando assim o confronto com a família. Holden vai refletindo sobre a sua curta vida, repassa sua peculiar visão de mundo e tenta definir alguma diretriz para seu futuro. Antes de enfrentar os pais, procura algumas pessoas importantes para si (um professor, uma antiga namorada, a sua irmãzinha) e tenta explicar-lhes a confusão que passa pela sua cabeça. Foi este livro que criou a cultura-jovem, pois na época em que foi escrito, a adolescência era apenas considerada uma passagem entre a juventudade e a fase adulta, que não tinha importância. Mas esse livro mostrou o valor da adolescência, mostrando como os adolescentes pensam.

Apresentei há algum tempo minha lista de leitura para esse projeto/desafio de ler alguns clássicos em 2018 e logo após eu programar o post e as leituras eu comecei a namorar um guri que muito me indicou O Apanhador no Campo de Centeio e por isso acabei colocando ele como o primeiro da lista. Peguei um exemplar na biblioteca e toda feliz por ser um livro pequeno achei que terminaria a leitura muito rápido, porém me enganei muito sobre isso. Está não é uma leitura agradavel, mas isso não significa que ela é pesada mesmo com a depressão do personagem — que na verdade é o único problema de verdade nessa obra.


A história segue uma linha do tempo de mais ou menos 72 horas, período em que Holden descreve um pouco sobre seus principais colegas de escola e quando, enfim, decide ir para a casa mais cedo pois havia sido expulso da escola (neste caso mais uma escola). A jornada do personagem é um aspecto positivo. Gostei da forma como ele descreve seus colegas, o que eles fazem, como eles fazem e até detalhes sobre seu jeito de falar ou fazer algo inusitado; Assim como também gostei muito das descrições de lugares e pessoas que ele vai conhecendo nesse período em que a história se passa. O que, realmente, não gostei foi do próprio Holden, que apesar de ser um garoto inteligente e muito bem instruído na vida, por ser de uma família rica, é extremamente chato. Talvez seja um porém por ele, evidentemente, ser um adolescente depressivo, mas isso fica nas entrelinhas ao longo das páginas (mesmo que em vários momentos o próprio Holden comenta sobre se sentir depressivo eu particularmente não acho que o seu autodiagnóstico deve ser válido, da mesma forma que não é na vida real).

Talvez eu tenha pegado uma implicância com ele logo de cara e que foi se intensificando. Eu odeio ler algo e não me identificar com o personagem e precisar ser convencida ao longo do livro de que vale a pena ele ter minha simpatia. Teve alguns poucos momentos que eu me identifiquei com algo que ele fez ou falou, mas no geral sua maneira de reclamar de tudo e de todos me deixou frustrada, assim como sua aparentemente comodidade de viver infeliz e colocar a culpa de todos os seus problemas em outras pessoas como se somente os outros fossem responsáveis pelo que ele esta passando e por tudo que deu errado em sua vida. O que vale a pena citar e que é algo bom em seu caráter é a forma como ele fala sobre sua irmã mais nova e sua preocupação com a mãe, que inclusive ele se culpa muito por acabar sempre decepcionando-a. Acredito que o que mais leva Holden a se segurar nesta obra é seu amor por sua irmã e a saudade que ele sente de seu irmão que faleceu há alguns anos. Inclusive esses dois fatores são os que mais influenciam o personagem, seja para o lado positivo como para o lado negativo.

De modo geral o livro não é ruim. Só vai depender muito do tipo de leitor que você é e do que espera desta obra. Fica o aviso de que precisa ter muita empatia para com Holden para não acabar tendendo a abandonar a obra no meio.

7 comentários:

  1. Olá, tudo bem? Esse livro parece ser bem interessante, tenho curiosidade de ler, principalmente por ser um clássico. Ótima sua resenha!

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  2. Oi Silviane, tudo bem?
    Achei sua resenha super sincera, não é todo mundo que é sincero ao resenhar um livro que é considerado clássico. Ainda não li O apanhador no campo de centeio, mas ele está na minha lista, imagino que a leitura seja difícil de ser feita pela personalidade do protagonista e entendo o porque de não se identificar com ele. Irei tentar realizar a leitura já preparada pra não ser uma leitura tão fácil de ser feita.
    Beijos

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  3. li tem muitos anos e gostei da construção narrativa do livro, mas Holden é pénosaquinho mesmo rsrs
    preciso até reler, peguei a edição emprestada de um amigo na época...
    bjs...

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  4. Olá!
    Eu tenho pavor quando pego uma leitura e também não consigo me identificar com o personagem, a trama acaba perdendo muito do sentido pra mim.
    Uma pena que a leitura não tenha sido proveitosa, mas as vezes acontece né.
    Beijos!

    Camila de Moraes

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  5. Esse é um livro que está na lista da vida para eu ler. Sempre ouço maravilhas dele.

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  6. Que legal que já está andando com este seu projeto de ler clássicos. Uma pena que este foi mais chato. Acho que também ficaria entediada com o personagem, e isso dificultaria minha leitura.
    Bjs Rose

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  7. Oie
    eu li o livro mas há anos atras e entendo muita gente que nao gosta, como vc disse, depende muito do que vc espera da leitura, é algo mais monótomo. Foi um dos poucos clássicos que li e gostei muito porém preciso reler

    beijos
    http://www.prismaliterario.com.br/

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