02/11/2017

Resenha: Lembra Aquela Vez


Título: Lembra Aquela Vez
Autor(a): Adam Silvera
Editora: 336
Páginas: Rocco Jovens Leitores
Livro cedido em parceria com a editora

Aos 16 anos, Aaron carrega no pulso uma cicatriz que registra a dor pelo suicídio do pai, mas, com o apoio da mãe e da namorada, Genevieve, está determinado a seguir em frente. Quando a garota viaja para um acampamento, porém, Aaron se aproxima de Thomas, e acaba encontrando nele mais do que um melhor amigo. Confuso, Aaron considera recorrer ao LETEO, um instituto que realiza procedimentos científicos para apagar memórias indesejáveis, na tentativa de esquecer lembranças ruins e, principalmente, quem ele é. Mas será possível encontrar a felicidade fugindo de si mesmo? Com uma narrativa pungente e sincera, Adam Silvera fala sobre bullying, homofobia, medo, incertezas, ética, amizade, amor, aceitação e a procura pela felicidade.

Eu tenho quase certeza que essa vai ser a resenha mais difícil que irei fazer em 2017. Lembra Aquela Vez foi, para mim, uma grande surpresa pois de imediato eu solicitei porque achei a capa bonitinha mas quando o livro chegou eu desanimei totalmente para ler e até cheguei a oferecer para um amigo de outro blog resenhar. Mas com tantas leituras para colocar em dia em tão pouco tempo eu olhei para o livro e pensei vamos lá acabar logo com isso e foi justamente o que aconteceu: Eu li o livro em uma única noite. Ele me prendeu de uma forma que há muito tempo não ficava presa em uma leitura. Mesmo com sono, piscando duro, eu não conseguia abandona-lo pois abandonar a leitura daria a sensação de abandonar o personagem justamente nos momentos mais cruciais (afinal, quanto mais você lê mais próximo esta do fim da obra).

O livro é narrado em primeira pessoa pelo protagonista Aaron, um adolescente que vive em um conjunto habitacional na cidade de Nova York. Ele tem uma linda namorada e vários amigos, com quem também passou toda a sua infância. Mas nem tudo é perfeito em sua vida. Há alguns meses seu pai se matou na banheira da própria casa e com todo o sofrimento que essa morte causou em sua vida depois de alguns meses o próprio Aaron tentou se matar. E é nesse clima que a história vai se desenrolando com um background onde existe uma empresa que apaga algumas memórias das pessoas.
Genevieve viu alguma coisa em mim, uma vida dentro da qual ela queria se perder, e não alguém cuja vida ela queria ver jogada fora. 

Em determinado ponto da história Aaron conhece Thomas, um adolescente do bairro vizinho que acaba se tornando seu melhor amigo. Thomas não sabe muito bem o que quer da vida, não para em nenhum emprego e com namorada, e acha que precisa tentar de tudo um pouco até encontrar, de fato, o que é certo para ele. Claro que gostei muito de todos os momentos que os garotos passaram juntos, as conversas mais banais e até as mais profundas, falando sobre a tentativa de suicídio de Aaron, assim como o suicídio de seu pai e o abandono do pai de Thomas quando este tinha apenas 9 anos de idade. Essa aproximação causa em Aaron uma nova descoberta: sua atração por garotos (eles não usam a palavra pois Aaron acha estranho no inicio).

A amizade entre eles causa certo ciumes e raiva nos amigos mais antigos de Aaron e quando eles percebem que o relacionamento deles pode ser mais do que amizade então acabam encurralando o menino para uma lição e é então nesse momento que inúmeras memórias são desencadeadas. Aaron nunca acreditou no procedimento da Leteo mas descobre que ele mesmo já passou pelo procedimento e ao recuperar tudo que foi apagado ele fica em um empasse sobre ser quem ele é ou sobre tentar ser outra pessoa, viver uma vida de mentira ou lidar com os problemas como eles realmente são. Eu já estava, claro, gostando da história antes mas a partir desse momento ela me ganhou cem por cento. Eu sofri com Aaron a cada memória recuperada, eu pude sentir suas duvidas e sua impotência, sua culpa por ser quem ele é e pelo mal que ele acha que causou em outras pessoas.
Você não tem o direito de continuar ignorando o seu passado só porque não gosta dele.

Além, claro, da grande questão das amizades de Aaron existe também a questão familiar. Todos ainda sofrem pelo que aconteceu com seu pai e tentam se recuperar do que Aaron tentou fazer; Entretanto eles não conversam sobre isso. Sua mãe trabalha muito e seu irmão mais velho só pensa em jogar vídeo game nas horas livres. No inicio essa falta de contato entre eles me incomodou, ainda mais com tantos problemas que precisavam ser discutidos para eles seguirem em frente, mas com a compreensão do fatos ao longo da história é de se esperar que essa família tenha tido exatamente esse tipo de atitude.

Este é um livro em que o leitor fica completamente imerso na história, esperando por cada surpresa que o autor preparou. E de fato, para mim, o final foi uma surpresa. Eu não vou dizer se foi boa ou ruim, se eu gostei ou não, porque isso pode fazer com que vocês saibam se ele foi um final feliz ou um final triste. Mas com certeza não existiria um outro final plausível para essa história.

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